quinta-feira, 19 de junho de 2008

CAI O PANO - CARLOS EDUARDO SAMPAIO

A matemática é bem simples: no início seriam, teoricamente, treze alunos iniciantes do curso de comunicação, licenciado em jornalismo, que criaram um blog e escreveriam para esse blog. Destes treze, somente cinco escreveram; três até bem pouco tempo atrás ainda o faziam; dois ainda lêem, mas só um comenta. O outro anteviu a hora agonizante e ficou responsável por colocar o post mortem.

Que fique registrado: não se escrevia com o objetivo de se sentir bem, expressar idéias e dialogar com o mundo através delas. Escrevia-se para receber comentários; e o que é ainda pior, cobrar por comentários; e aquele simpático professor se esforçava por conciliar seu escasso tempo de docente em ler esses aspirantes a escritores e /ou jornalistas.

Este texto não é uma sobrevida; é antes, a constatação do fim.

Já não há mais idéia, já não há mais desejo, já não há mais satisfação...

Já não há mais tinta...

domingo, 11 de maio de 2008

COLOCANDO OS PINGOS NOS ÍPSLONS ( OU A ILUSÃO OBJETOCOR) - CARLOS EDUARDO SAMPAIO

Passei minha vida inteira pensando que Informática era o que eu queria cursar. Depois que estava lá, percebi o quanto ainda me sinto confuso (e olha que já estou com quase 30) em escolher uma carreira profissional. Acontece assim mesmo: de repente desisto de tudo. Outras coisas começam a me interessar e deixo o que fazia pela metade para me dedicar ao meu novo interesse. Atualmente estou trabalhando na idéia de fazer jornalismo. Algumas disciplinas do curso me estimulam bastante. Fotojornalismo, por exemplo, foi uma das coisas que povoou minha cabeça por algum período. Mas como tantas outras coisas que fiz na vida, será outro tiro no escuro. É esperar para ver. Tenho que estimular uma coisa que na realidade tenho muita preguiça de fazer: escrever. No mais, me agrada a quantidade de conhecimento que o curso me proporcionará. Acredito que entro nessa por puro idealismo. O ideal e estereótipo dos jornalistas consagrados! Como se a vida deles fossem sempre de aventuras interessantes. Pobre coitado! Desespero por algo de emocionante sempre nos tende a fantasiar a realidade.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Matrimônio (Sem plural) - Levi de Freitas

MATRIMÔNIO (SEM PLURAL) - Levi d'Freitas

Tomei por esposa minha solidão.

Dela só largo se me tomarem pela mão

e me conduzirem à outra estação,

aonde eu não mande mais em meu coração.

Ou, alternativa,

esta, mais sem sentido:

seria fazer-me viver de novo a vida,

porém sem me ter dado por entendido

tudo que descubro sem querer,

querendo apenas descobrir

que estive sempre errado ao me fazer

errar para não atingir.

Tomei por esposa minha agonia.

Esta, agora, é minha filosofia:

sem amores, sem rancores.

Sem dúvidas, sem temores.

Sem dores

ou problemas sem final.

Sem ditadores

ou palavras no plural.

ATÉ QUANDO? - JANAÍNA BANDEIRA

Sábado, 29 de março de 2008. Uma linda garotinha de cinco anos passeia por um supermercado de Guarulhos com seu pai, irmãos e a madrasta. Isabela Nardoni não sabe que dali a algumas horas vai ser vítima de um ato brutal. Daquilo que chamo de “monstruosidade humana”.

O que pode levar uma pessoa a cometer tal ato? Estou até agora me perguntando isso sem, no entanto, encontrar uma resposta. A polícia se sente pressionada pela população que já não agüenta mais esse tipo de coisa. A mãe pede justiça. O pai e a madrasta se declaram inocentes. O avô desabafa: “Meu filho não é um monstro!” E eu grito: “Meu Deus! Que mundo é esse que meus filhos estão crescendo?” O que será que aconteceu naquela noite dentro do apartamento de Alexandre Nardoni? Por que espancaram uma garota sem que ela tivesse a mínima chance de defesa? Alguém já parou pra pensar o quanto ela sofreu? Quanta dor deve ter sentido... Teve um corte na testa, um pulso fraturado, foi estrangulada, a bacia quebrada, além de outras lesões! Eu nem consigo mais dormir pensando nisso. Sei que assistimos a coisas horríveis todos os dias pela televisão, mas esse caso em particular me chocou profundamente. Minha filha de quatro anos agora tem medo de ficar sozinha no quarto. Ela disse que tem medo de um homem aparecer e jogá-la pela janela...

Eu queria saber se isso é a evolução humana. Se for, para que evoluímos? Para destruirmos sonhos? Para destroçarmos famílias? Para que? Alguém sabe me dizer? Espero, sinceramente, que os verdadeiros culpados sejam encontrados e punidos. Na verdade, acho que merecem passar pelo mesmo que fizeram a essa garotinha. Não! Assim mostraríamos mais uma vez que ainda não evoluímos...

sábado, 8 de março de 2008

ESSÊNCIA - LUIZA MATOS

Que fraqueza que nada! Gostamos é de força, de luta! Acomodadamente esperamos a transformação. Mas que mentira! Somos a revolução!
Quanta gentileza, obrigada. Mas quanto me custou esse agrado? Nunca és gratuito.
Imperceptíveis? Jamais. Ainda que com um suave perfume, absorvemos todo o ar.
Mas que sorriso é esse? O que eu falei? Ah, entendi! Olhou o que não consigo enxergar por causa da minha mania de perfeição. Mas é claro, estava explicito, agora sei, não era algo novo, sou a mesma.
Quer me cuidar? Mas faça direito. Um deslize e não terás como se proteger. Somos caprichosamente maquiavélicas.
Não esqueças de lembrar o que todos os dias, ainda que com certa confiança, me pergunto. Não fale somente com os olhos, balbucie seus sentimentos, os mais encantadores, que são atribuídos a mim.
Não me esqueceste por nenhum dia? É, eu já sabia. Gosto e faço com que eu tenha o domínio controlado de cada pedaço teu. Sou delicada, mas não se engane. Posso sempre surpreender, afinal, sou mulher.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A DESATENÇÃO - LEVI DE FREITAS

A desatenção – Levi d’Freitas

No livro “O que é comunicação”, Juan Dìaz Bordenave trata o ato de comunicar como sendo de serventia “para as pessoas se relacionarem entre si, transformando-se mutuamente e a realidade que as rodeia”.
Ainda no supracitado livro, Juan Dìaz apresenta os elementos básicos da comunicação como sendo: a situação; os interlocutores; a mensagem; os signos; os meios. Contudo, sabe-se que, uma vez enviada, a mensagem pode sofrer distúrbios que a impedem de chegar a seu destino da forma que gostaria o emissor, ou seja, preservadas suas características. A estes distúrbios, damos o nome de ruído. Trataremos, agora, de um em especial: a desatenção.
De modo geral, a desatenção vem a ser um desligamento temporário de um dos interlocutores, durante um processo de comunicação, devido a fatores externos, tais como desinteresse no ato de comunicar, desentendimento dos signos, súbita percepção de apelo comunicacional mais atrativo que o anterior no qual estava envolvido, dentre outros.
Ao ato de comunicar, poder-se-ia atribuir, ilustrativamente, uma espécie de “contrato de transmissão de mensagem”. Desta forma, ao envolver-se em um ato comunicacional, o(s) interlocutor(es) apresenta-se disposto a receber e emitir mensagens. Ao ceder aos fatores influenciáveis à desatenção, estaria ferindo este subjetivo “contrato”.
Sendo a comunicação, análogamente falando, como uma “caixa de Skinner”, na qual, ao tocar na barra, que seria o figurativo “contrato de transmissão de mensagem”, o sujeito interlocutor que, subjetivamente, gera a situação de comunicação, ao mostrar-se desatento, fere o princípio de “ação e reação”, uma vez que também há um “outro lado da história”, que aguarda as condições ideais e os elementos básicos da comunicação em harmonia para haver transmissão de mensagem com sucesso. Fere, pois, o princípio básico da comunicação.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

DIÁRIO DE QUINTA - LEVI DE FREITAS

Diário de Quinta - Levi d'Freitas

Era pra ser só mais uma típica quinta-feira. Acordo cansado, sozinho e atrasado. Reunião de negócios, sabe como é que é: provar ao chefe que vale a pena pagar por seu serviço invisível... Creio não interessar a você meus métodos de persuasão, além de quê, não desperdiçarei meu tempo e minhas linhas com bobagem. Resumo então minha manhã na cena em que meu pai vai com, literalmente, tanta sede ao almoço, que leva consigo um copo daqueles de estimação, clássico, com nome e tudo, ao invés da convencional dupla (ou trio, vá lá!) talheres-prato fundo de vidro. Como se ele pudesse beber o arroz, né... Balanço a cabeça e me volto aos afazeres. O dia estava apenas começando! (É que meu dia tem trinta horas...)
Á tardinha, compromisso marcado com cliente. Tinha de desdobrar um vendedor em 30
minutos e correr para a faculdade. Chego na hora (uma vez acontece da gente não se atrasar...) e aguardo. Meia-hora depois, (conveniente, não?!) a mocinha (nem tããão mocinha...Tá bom, uma tia de seus cinqüenta e poucos...) me informa que a reunião fora remarcada para dali a uma hora. Que pena, em uma hora eu já estava em sala de aula, entregando trabalho escrito e tudo. Mantive a calma, respirei fundo, sorri, dei boa-tarde e meia-volta. Não fazem mais secretárias como antigamente! (Tupo pode acontecer, menos eu perder a oportunidade deste trocadilho...)
Também não falarei de aulas. Chega por hoje! Já passa de uma hora da madrugada. Falarei do final da aula, apenas. Enquanto dividia, durante leitura de texto, meu livro com 'A' morena (ela lia as linhas do livro enquanto eu lia as curvas de suas cruzadas de pernas), recebo uma ligação. Cortou todo meu barato, mas quem sabe fossem boas notícias... Não, não eram. Meu primo, oferecendo carona para voltar para casa (é, além de universitário, não possuo transporte próprio. Quem quiser me dar uma ajudinha financeira, meu endereço está logo abaixo deste escrito). Naquele momento, sem chance. Eu estava em uma altamente empolgante aula (a morena estava me tirando do sério! Que morena, meu Deus!). Disse a ele que podia seguir em seu super-carro de alguns milhares de reais que eu iria embora sozinho mesmo, dali a alguns minutos, de condução coletiva.
Sabe, o ônibus é algo tão coletivo que até o azar é compartilhado, dentro dele. Imagine: meia centena de pessoas fatigadas de um dia corrido, todas declaradamente esfomeadas e sonhando pôr os pés em casa. Agora, veja na cena seguinte, esta mesma meia-multidão esbravejando no meio da rua contra o ônibus que encerra seu trajeto por “problemas técnicos”, em um lugarzinho no meio do nada, de referências policiais diárias... (E sem cobertura fixa dos homens da lei, diga-se de passagem. Socorro!) Ah, vidinha famigeradamente irônica!
Ora, claro que pensei em tomar uma atitude! Na verdade, pensei em várias soluções para aquele problema iminente. O fato é que não me deixaram agir quando eu queria. Pensei em tomar outra condução, um táxi, por exemplo. Nisto, porém, ouço fantasmagórica risada. Era minha carteira, avisando que eu só possuía o dinheiro do jantar e teria de ficar ali, esperando o carro reserva da empresa de transporte público. Então, ouço outra risada, esta mais estridente. Era o relógio, avisando que em alguns minutos todos os estabelecimentos comerciais próximos estariam fechados e eu provavelmente não conseguiria comprar nada para comer. Pensei em sair andando, ver se achava algum lugar para saciar a fome. Quando dei os primeiros passos me distanciando das pessoas, rumo ao desconhecido que era aquele lugar aparentemente deserto, ouço uma gargalhada grave e sutil. Era meu livro, fiel companheiro, lembrando que ele era minha única arma naquele momento. Resolvi então ligar para casa e orientar alguém a me fazer esta caridade: comprem meu jantar, pelo amor de Deus! Além, claro, de avisar que iria chegar tarde, a fim de não deixar ninguém preocupado. Bom, pelo menos ninguém estava preocupado comigo, pois o telefonema não foi atendido. Nisto, o celular em minha mão fez ouvir sua risada desesperadora a léguas. Ainda não entendi o que ele queria me avisar ou me lembrar. Só que não esqueci seu tom de zombaria...
Já no auge do desânimo e bem próximo do desespero, vislumbro a chegada do carro de socorro, que leva-nos a nossos destinos.

Desço alguns quarteirões antes de casa. Passo no (ainda funcionando, graças a Deus) supermercado. Segundo a voz do microfone, tenho 15 minutos para efetuar minhas compras antes que tudo feche. Tudo bem. Pego bolachas e um sabonete (eu estava com um cheirinho natural tão natural que já não estava suportando... Mesmo não sendo ‘dia de banho’, um cairia muito bem...). Ao chegar ao caixa, o rapaz recusa-se a me atender (após eu esperar por um senhor que estava à minha frente por uns cinco minutos), alegando ter ‘passado da hora’. Pudera! Meu relógio mostra estar faltando cinco minutos para a meia-noite, horário de fechamento do recinto. Ele, porém, afirma que ‘o sistema’ é que parou. Tudo bem, não é meu dia mesmo. Vou a outra fila. Quinze minutos nela e eu era enfim atendido. Já sentia o sabor do sabonete mergulhado nas bolachas misturados com minha saliva (eca! O que a fome não faz, hein...). Enfim, chego em casa. Como as bolachas (sem sabonete!), tomo um bom banho (com sabonete!). E vou dormir. Cansado, sozinho e atrasado. Já são duas horas da madrugada! Isto são horas, menino! E amanhã, ah, amanhã vai ser outro dia.