sexta-feira, 9 de novembro de 2007

POR FRAQUEZA! LUIZA MATOS

Abri os olhos e não consegui acreditar no que vi. Foi forte demais para mim. Ana, a mulher pela qual passei a vida à espera, agora se encontrava ali, bem diante do meu olhar paralisado. Não sabia como reagir.
Após alguns segundos, que passavam no mesmo compasso de horas, consegui reagir e buscar naquele lago límpido, a resposta para os meus sentimentos. Ela ainda me amava, estava declarado em seus olhos, mas algo mais se encontrava mergulhado naquelas águas. Abraçamos-nos, deixamos nossos corações se encontrarem.
Foi quando ela resolveu desabafar. Falava que havia voltado por causa do amor que sentia por mim, sabia que não era possível, mas... A interrompi. Por que não seria possível compartilhar o resto dos meus dias vivendo essa paixão? Falei que era parte do meu coração. E como eu poderia viver sem um pedaço dele? Mas Ana tinha um fato a me revelar. Ela, segurando fortemente em minhas mãos, disse que estava com câncer. E mais uma vez o silêncio fazia-se presente entre nós.
Tive vontade de falar-lhe que acima de tudo estava o nosso amor, mas agi como um covarde. Nem sempre é fácil expressar os nossos sinceros sentimentos. A mulher que tanto amei partiu, deixando-me saudades e um imensurável vazio. Eram pedaços meus que haviam sido perdidos. Ainda hoje, carrego um grande sentimento em meu peito, o arrependimento. Se eu tivesse sido forte, ao menos ela teria falecido ao meu lado.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

ESTOU AQUI - JANAÍNA BANDEIRA

Estou aqui - Janaína Bandeira

Até hoje me pergunto o porquê de tanta revolta. Me parece um misto de dor e raiva. Mas raiva de quê? A menina criada com tanto amor e carinho resolveu seguir um caminho na contramão. Contramão da vida, da certeza, da aceitação e até de seus princípios.

Aquela garotinha tímida que me procurava pra contar seus problemas já não é mais uma GAROTINHA. Ela cresceu. Anda com as próprias pernas e não quer ouvir nada do que tenho a dizer. Qual seu problema? Qual a sua dor? Por que está tão distante de mim? Por que não deita mais no meu colo e fala todos os seus segredos? Por que se perdeu na metade do caminho?

Eu quero dizer a ela que continuo aqui, no mesmo lugar. Meu endereço é o mesmo. Meu telefone não mudou. Meus ouvidos estão abertos para ouvi-la. Estou disposta a tentar entendê-la. Ela continua sendo especial para mim, embora tenha me magoado profundamente. Mas ela é minha amiga e amigas também erram. Talvez eu tenha errado, ou, quem sabe, nós duas tenhamos errado. Não importa. Estou aqui, tentando aprender com os erros da vida.

Sua mãe tentou se aproximar e ela não quis. Não permitiu que as correntes fossem quebradas. Sentia uma dor inexprimível. Ela vive em seu mundo e sonha com um futuro diferente de tudo que viveu até agora. Afinal, o que ela quer do mundo? O que ela quer da vida? Olha, eu continuo te amando e esperando. Venha até mim. Estou no mesmo lugar.

REVITALIZAÇÃO DO PASSEIO PÚBLICO - CARLOS EDUARDO SAMPAIO

Revitalização do Passeio Público - Carlos Eduardo Sampaio












Ah! Belos tempos aqueles. Inesquecíveis. Damas e cavalheiros de mãos dadas como se tivessem caminhando por bulevares parisienses. Tempo em que a França ditava modas e costumes na nossa Fortaleza. Senhores com trajes bem alinhados, senhoras elegantes, fontes, árvores, cafés, gente culta e interessante. É claro que falo de um tempo em que não havia shoppings. Nos shoppings as pessoas se esbarram, nas praças as pessoas se encontram. Essa diferença no contato é bem interessante para tentarmos entender um pouco do que seria esse homem moderno de hoje. O Passeio Público, no centro de Fortaleza, era o lugar de encontros das diferentes classes sociais da nossa cidade. É com alegria que recebo a notícia de que a Prefeitura de Fortaleza terminou sua revitalização e nos entrega um Passeio Público revigorado, com segurança e projetos culturais para não cair no abandono e sofrer toda a sorte de ações de vândalos. Penso que se todos os comerciantes do centro da cidade parassem para refletir que eles são a parte que mais ganharão com a revitalização dos principais pontos turísticos do Centro, teríamos um lugar mais seguro, limpo e agradável. Mas na visão estreita dos nossos comerciantes do centro da capital isso é trabalho apenas da prefeitura. Vamos torcer para que o Passeio Público não caia no esquecimento novamente e traga histórias divertidas e curiosas como em tempos passados.


sábado, 3 de novembro de 2007

PROFISSÃO: MÃE - JANAÍNA BANDEIRA

Profissão: Mãe - Janaína Bandeira

Sinceramente, ser mãe não é a coisa mais fácil do mundo, mas é uma dádiva que eu aproveito intensamente durante todo meu dia. Acordar cedo, fazer mamadeira, sanduíches, leite com achocolatado e mais uma infinidade de coisas... Isso tudo caindo de sono, pois no dia anterior cheguei tarde da aula.

Sempre falo para as pessoas que meu maior patrimônio são meus filhos. Na minha casa tenho quatro criaturinhas pelas quais daria minha vida se fosse preciso. É uma sensação maravilhosa poder gerar uma vida e carregar esse ser durante meses na barriga sentindo toda sua vitalidade. Ao nascer, aquele choro delicioso, forte, impondo sua presença a todo custo. A babação da família, noites mal dormidas, fraldas e dores decorrentes do parto recente. Amamentar, então, que maravilha!

Eles vão crescendo, aprendendo a andar e a falar. Os primeiros dentinhos, o primeiro passeio, os gritinhos de felicidade ao ver o mar (Acho que para eles é uma grande banheira para tomar banho). No carro, a briga para ver quem fica na janela. Em casa, mais uma vez se desentendem para escolher o canal da televisão ou de quem é a vez no videogame. Enquanto isso a pobre mãe vai contando de um até dez, para não acabar internada em um hospício para o resto da vida. O pai, que trabalha fora de casa quase o dia inteiro, só quer silêncio na hora do Globo Esporte. Coitado! Esse, se tivesse que passar pela metade do que a mãe passa o dia todo, certamente já estaria no soro. Mesmo assim, ele é um anjo que Deus colocou na minha vida.

E eles continuam crescendo. As namoradas aparecem e você tem a sensação de já estar prestes a ser avó. Socorro, estou envelhecendo! Conheci a garota e até que achei-a simpática. Ela nem pense em tomar meu filho de mim! Meu Deus, daqui a algum tempo estarão casando. Fraldas e choro novamente. Dessa vez não serão meus filhos, mas os filhos deles. Às vezes fico me imaginando sentada em uma cadeira de balanço, escrevendo meus artigos e crônicas, com um monte de netinhos a minha volta. O que será que a vida me reserva daqui pra frente? Sei que tem um Deus que cuida de mim e que, com certeza, me dará o melhor, como me deu até hoje.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

A GLOBO E A DISPUTA PELO PENTA - LEVI DE FREITAS

A Globo e a disputa pelo penta.

“É peeeentaaaaaa! É peeeeeentaaaaaa!” – Galvão Bueno

31 de Outubro de 2007. Estádio Morumbi, São Paulo/Sp. Cerca de 70.000 torcedores ensandecidos acompanham a partida que, matematicamente, decidiu o campeonato brasileiro do ano em questão. A bola, tal qual musa, passeia na passarela verde, de pé em pé (e de pé em cabeça), até morrer no gol, por três vezes seguidas. São Paulo 3 x 0 América. Conquista tricolor no campo, inquestionável. A disputa, por pontos corridos, contou com mais 18 concorrentes. O São Paulo conseguiu a façanha de, com quatro rodadas de antecedência e 15 pontos de vantagem sobre o atual segundo colocado (o campeonato ainda não acabou), faturar o torneio pela segunda vez consecutiva, e pela quinta vez em sua história.

Seu goleiro, Rogério Ceni, barreira quase intransponível, é venerado no mundo inteiro como um dos melhores jogadores em atividade. Sua linha de defesa, ovacionada por muitos, devido sua segurança e confiabilidade. Seu elenco, inquestionavelmente o melhor do país. Seus cofres, os mais cheios. Seus títulos, os mais importantes. Chamado no exterior de ‘o rei do Brasil’, o ‘papa-títulos’.

Diante de tudo que fora exposto, além de acompanhando a trajetória desta vitoriosa equipe há anos (exatos 15), como não render-me a ela? Por isto, parto agora em sua defesa. Além de não perder a oportunidade de criticar a Rede Globo...

Após a conquista tricolor, um assunto fora desenterrado pelos nossos irmãos jornalistas do Globo Esporte. 15 (ou 20) anos depois, eles agora vestem-se de rubro-negro e partem em defesa do polêmico título brasileiro do ano de 1987, ‘conquistado’ pela equipe do Clube de Regatas Flamengo, segundo o ‘Clube do 13’, uma espécie de sindicato fajuto dos ‘principais’ clubes de futebol brasileiros, contudo, negado pela CBF, entidade máxima do esporte no país. Ora, não fosse a fragrância mumificada, ainda há agravantes que tornam toda esta história inviável, principalmente se observados quem está tomando posicionamento. Contudo, discursemos sem ‘agressões’ e nos embasemos em fatos.

A princípio, por qual motivo a diretoria rubro-negra deixou que seu direito de campeão fosse expurgado de si durante tanto tempo? O título em questão, datado do ano de 1987, ou seja, já há 20 longínquos anos decorridos. 20 anos! Isso é mais do que eu tenho de vida! Sendo uma equipe de tanta torcida, reconhecidamente influente no cenário nacional, deixaram-se ‘furtar’ o direito do título e não se manifestaram... E a culpa, de quem é? Sem falar de que o tal pentacampeonato flamenguista só viria se concretizar em 1992, mesmo assim, sem manifestação por parte de sua diretoria no sentido de fazer revogar a decisão da CBF em decretar o Sport Clube de Recife campeão brasileiro de 1987.

A seguir, ainda falando de CBF, é ela a entidade maior de nosso futebol. Se por ela for dito que não existe Flamengo ou Vasco ou Íbis, qualquer que seja deixará de existir e de participar das atividades profissionais do esporte mais popular de nosso país. O que leva-nos à conclusão de que não existe “Clube dos 13” que decida sobre qualquer disputa interna profissional. Ilusão de qualquer dirigente que crê que ali está o ‘poder’. Mero poder de si sobre si mesmo. Humildemente, é disto que estou falando.

Prosseguindo, e agora, atacando: Que diabos a Rede Globo tem haver com a história toda? Pior: tomando posicionamento, ora ‘bolas’! Quem acompanha a peleja pelo site da rede, percebe nitidamente que a imparcialidade é posta para escanteio e escancara-se a disputa pelo título de ‘único pentacampeão brasileiro’ como sendo atitude anti-ética da parte do tricolor paulista, que deveria, segundo sua visão rubro-global de apresentar os fatos, prostrar-se diante do time da gávea e ofertar-lhe reverências, por ter ‘igualado’ seu ‘feito’. Mais uma vez, balela do ‘plin-plin’!

Quero enfatizar que escrevo não afirmando que o Flamengo é ou deixa de ser pentacampeão, assim como o São Paulo. Como torcedor, não nego que não concordo com a igualdade de títulos. Para mim, penta, apenas o São Paulo. Porém, como homem crítico, percebo obviamente que o Flamengo fora campeão sim em 87. Contudo, a disputa entre os dois times agora é por uma taça vinda da CBF, destinada apenas ao ‘primeiro pentacampeão brasileiro’. De fato, o Flamengo. De lei, o São Paulo. Como o assunto é entre entidades, minha crítica é para esse jornalismozinho empregado por uma rede tão citada como a maior potência em nosso país. Daí vem nossos problemas: se a nossa maior mídia, a alienadora-mor, toma posicionamento de forma tão exacerbada (da forma que tentei reproduzir aqui, para quem percebeu minha ‘aparente’ contradição), a ponto de desrespeitar as entidades envolvidas, os torcedores que lêem, os jogadores que fizeram história... E os jornalistas que a repugnam!

Acredito que escrever com paixão, com uma pitadinha de falta de objetividade, não faz mal. Contudo, fato preocupante é escrever em rede nacional, acessada por milhões diariamente, de diferentes credos, cores, pensamentos e paixões, tomando posicionamento sobre um fato de bastidores, tendendo a provocar, inclusive, ‘guerras’ entre as torcidas, que não tem nada a ver com isso, porém, que são as mais fracas na situação toda, que tendem a sofrer as piores conseqüências, antropologicamente falando.

Ao São Paulo Futebol Clube, parabéns pela belíssima campanha. Ao Clube de Regatas Flamengo, paciência. Entrem na justiça contra a CBF, não contra o São Paulo. À CBF, coerência. À Rede Globo, plin-plin. Abram a cabeça.

Levi de Freitas.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

UM CERTO JARDIM - LUIZA MACHADO

MEU JARDIM – LUIZA MACHADO

Lá no jardim de inverno da minha casa,

Feio, triste jardim de inverno.

As plantas sentem calor.

O pior é que sempre quis ter um.

Mas se eu soubesse que tanta tristeza as plantas passavam, coitadas, nunca teria desejado tê-las.

Elas continuam vivendo ali, sozinhas.

Mas agora eu também estou sozinha

Não me sinto capacitada para fazer-lhes companhia,

Levar vida a essas tristes meninas.

O tempo vai passar e elas vão continuar ali, bem no canto da sala.

Olhando-me todos os dias quando acordo e passo com roupas desajeitadas.

Quando fico por horas sentada diante delas, descobrindo um mundo inimaginável para as coitadas.

Mundo um pouco impressionista. Sobre natureza morta ou algo socialista sobre a Revolução Russa.

O importante é que invariavelmente elas continuarão ali. Quase mortas.

Esperando o dia em que alguém lhes traga vida.

Se é que já não perderam as esperanças...

Diferente de mim, que quando penso que cheguei ao fim vejo-me revigorar e consigo continuar.

LELLA - LEVI DE FREITAS

LELLA – LEVI D’FREITAS

Eu espero por você como espero pelo sol
luz que apaga a vela, acende a chama que não queima.

Pelas frestas de teus olhos, vejo o brilho do horizonte
sinto o cheiro da virtude, ouço os passos da certeza
e o monte que me espera: que me leve com você!

Deus, te agradeço. Me puseste na hora certa, no lugar certo
os olhos certos;
a palavra certa, a verdade, perfeita.

Meu rumo e sentido, agora, quem são?
Meu pai, minha mãe, onde está meu irmão?
A você que tenho e rezo
a quem mais poderia oferecer?

Eu largo tudo, pulo bem profundo
venho só pra te dizer
não dá pra te esquecer
eu posso te entender
me aceite com você.

A qualquer momento,
me aguarde no saguão.
Vou mesmo neste avião
com destino à felicidade.

Felicidade essa,
que pra mim é você.